Após voltar de sua licença por afastamento, motivada pela morte do filho recém-nascido, o prefeito David Almeida autorizou o pagamento de R$ 25 milhões para a empresa Mak Construções Ltda. realizar a chamada “recuperação ambiental” e revitalização de um trecho do Igarapé do Mindu, na zona Centro-Sul de Manaus.

A obra vai abranger apenas 1.520 metros, entre as avenidas Darcy Vargas e Djalma Batista, o que representa um custo médio de R$ 16,4 mil por metro — ou R$ 164 por centímetro. O valor elevado chama atenção, principalmente diante da extensão limitada do trecho contemplado.

Outro ponto que levanta questionamentos é o perfil da empresa contratada. A Mak Construções tem como atividade principal a construção de edifícios e, entre os serviços secundários, manutenção elétrica, apoio administrativo, soldagem e transporte de cargas. Não há, em seus registros, especialização direta em recuperação ambiental, drenagem profunda ou preservação de margens, áreas essenciais para esse tipo de intervenção.

O trecho do igarapé é conhecido por abrigar diversas espécies, como jacarés, garças, urubus-de-cabeça-vermelha, periquitos, capivaras, jacus e camaleões. Mesmo assim, o projeto prioriza o alargamento e a retificação do canal, conforme o plano básico da licitação, com foco na redução de alagamentos, e não na recuperação efetiva do ecossistema ou no combate à poluição.

Segundo documentos oficiais, o objetivo principal é minimizar os impactos das chuvas, como os registrados em 2007, quando houve transbordamentos em bairros como Parque 10, Nossa Senhora das Graças, Novo Aleixo, Tancredo Neves e São José Operário. Na prática, porém, a intervenção atinge apenas 6,9% dos 22 quilômetros do curso total do igarapé, sem enfrentar os principais problemas ambientais da área.

A licitação, registrada como Concorrência nº 18/2025, foi realizada em 21 de janeiro e, até a última quinta-feira (5), ainda aguardava homologação pelo Programa de Infraestrutura Urbana e Ambiental de Manaus (UEP/Seminf).

A Mak Construções é classificada como empresa de pequeno porte, com capital social de R$ 5 milhões, e tem como sócia-administradora Márcia Regina Higino da Cruz Barbosa. Apesar disso, desde o início da gestão David Almeida, em 2021, a empresa já recebeu R$ 21.334.871,52 em contratos da Prefeitura de Manaus, o que reforça suspeitas sobre favorecimento e concentração de recursos públicos.

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