Diante das barreiras para se inserir no mercado musical, um grupo de jovens universitários, com idades entre 21 e 25 anos, decidiu criar seu próprio caminho. O selo independente AlterEgo nasceu no Rio de Janeiro com o objetivo de gerenciar, produzir, promover e distribuir a obra de artistas, começando pelo trabalho de suas próprias bandas e expandindo para outros talentos com dificuldades similares.

A iniciativa partiu de Victor Basto, guitarrista e vocalista da banda Quedalivre, e João Mendonça, baterista. Ambos se conheceram durante o curso de produção musical na faculdade e, ao vivenciarem na pele a frustração de ter materiais rejeitados por diversos selos sem sequer obterem resposta, decidiram unir o conhecimento técnico à produção executiva para criar uma solução.

Um coletivo ‘faça você mesmo’

O selo AlterEgo, que existe efetivamente desde outubro de 2025, mas foi lançado oficialmente em um festival homônimo em fevereiro, opera como um ecossistema cultural autogerido. A equipe técnica é composta por 22 jovens, incluindo Basto como diretor executivo, Mendonça como diretor de produção fonográfica e Lore Naias, guitarrista e vocalista da Quedalivre, como diretora de eventos. O coletivo abrange profissionais de diversas áreas, como design, fotografia, audiovisual, técnica de som e até contabilidade.

“Basicamente, quem compõe o selo internamente são várias pessoas da nossa idade, entre 21 a 25 anos mais ou menos. Todo mundo universitário, da área da economia criativa mesmo. Muita gente que já frequenta a cena, já trabalha na cena de rock e de blues”, explica Basto.

O cenário da música independente

A criação do AlterEgo se insere em um contexto global onde os selos independentes ganham cada vez mais espaço. Uma pesquisa internacional da MIDiA Research indicou que, em 2023, os selos independentes representaram 46,7% do mercado mundial de música, movimentando US$ 14,3 bilhões. Apesar do crescimento, a produção independente enfrenta desafios, como problemas com o streaming, a dificuldade de divulgar um número crescente de artistas e a concentração de receitas.

Segundo a União Brasileira de Compositores, o streaming, especialmente o Spotify, é a principal fonte de receita para esses selos, mas também apresenta obstáculos. A pesquisa aponta que 87% das gravadoras independentes consideram cada vez mais difícil destacar seus artistas e 78% têm dificuldade em manter o interesse do público.

Um futuro autogerido para a música

Victor Basto defende a filosofia do “faça você mesmo” como motor do AlterEgo. “Todo mundo tem essa proposta de produzir os próprios eventos, não se limitar às filosofias dos outros”. Ele ressalta que a iniciativa vai além de uma expressão artística individual, configurando-se como um trabalho coletivo que visa o crescimento do cenário musical para que todos possam viver de sua paixão.

“Está todo mundo envolvido. Não é sobre as próprias bandas. Tem toda uma estrutura, pessoas que já trabalhavam juntas, que já participavam mas que, agora, estão engajadas realmente em fazer o cenário crescer, para poder todo mundo viver do que a gente ama mesmo. Não é uma coisa individual de forma nenhuma”, afirma Basto.

O selo já reúne mais de 25 bandas de diferentes estados e busca provar que é possível produzir música de qualidade e construir carreiras sem a necessidade de grandes investimentos iniciais, incentivando novas bandas a seguirem o mesmo caminho.

Com informações da Agência Brasil

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