A Acadêmicos do Grande Rio levará o Manguebeat, icônico movimento cultural pernambucano, para a Marquês de Sapucaí em 2025. A escola de samba, que busca o bicampeonato, apresentará um enredo que celebra as inovações musicais e a força periférica do movimento, traçando paralelos com a realidade da Baixada Fluminense, onde a agremiação está sediada.

A inspiração por trás do enredo

O carnavalesco Antônio Gonzaga, de 30 anos, revelou que a inspiração para o enredo surgiu de conversas com o pai, o jornalista Renato Lemos, autor do livro “Inventores do Carnaval” e fã de Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A. “Eu sempre gostei de Nação Zumbi. Meu pai escutava em casa, e eu, criança, escutava por tabela e curtia muito e entendia que seria importante o Manguebeat ser enredo em qualquer momento. Acho estranho que isso não tenha acontecido ainda”, disse Gonzaga em participação no programa Sem Censura, da TV Brasil.

A conexão entre a região de Duque de Caxias e o berço do Manguebeat se tornou um ponto crucial. “Pesquisando, achei essa conexão de a região da escola, Caxias, ser uma cidade cercada por manguezais. Então, fazer esse paralelo com os movimentos de periferia da baixada fluminense acho que foi o pulo do gato para fazer esse enredo dar certo”, explicou o carnavalesco.

Ritmos e referências na avenida

Pernambuco será ricamente representado nas alegorias e fantasias, que compõem os seis setores do desfile, com cinco carros alegóricos e três tripés. A bateria da Grande Rio, sob o comando do Mestre Fafá, com seus 270 ritmistas, promete um arranjo inspirado nas inovações do Manguebeat, com referências ao frevo e ao maracatu, além de “viagens” musicais e rítmicas de Chico Science. “Pode esperar muita alegria, muita bossa inspirada no trabalho de Chico, um cara que misturava muitos ritmos”, afirmou Mestre Fafá.

A identidade cultural se estenderá às fantasias, com destaque para a ala da bateria, que representará o bloco afro Lamento Negro, em Olinda, um dos blocos que Chico Science ajudou a fundar. A letra do samba-enredo, assinada por Ailson Picanço, Marquinho Paloma, Davison Wendel, Xande Pieroni, Marcelo Moraes e Guga Martins, reforça a ligação entre os mangues de Recife e as margens sociais da Baixada Fluminense: “Eu também sou caranguejo à beira do igarapé / Gabiru trabalha cedo, cata o lixo da maré.”

A Grande Rio será a penúltima escola a desfilar na terça-feira, 17 de fevereiro, último dia de apresentações do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro.

Com informações da Agência Brasil

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