
O roubo milionário durante o Carnaval
Na sexta-feira de Carnaval de 2006, em meio à folia do Bloco das Carmelitas em Santa Tereza, Rio de Janeiro, ocorreu um dos maiores roubos de obras de arte do Brasil. Cinco quadros de artistas renomados como Claude Monet, Salvador Dalí, Pablo Picasso e Henri Matisse foram levados do Museu da Chácara do Céu.
O valor das obras roubadas ultrapassava os US$ 10 milhões na época, o equivalente a R$ 52 milhões atualmente. O assalto, que surpreendeu o país, nunca teve seus autores ou as obras recuperadas.
Investigações e suspeitos sem solução
Ao longo de duas décadas, três nomes surgiram como principais suspeitos. Paulo Gessé, um motorista de kombi branca, foi investigado por suposto envolvimento no transporte das obras. Apesar de ter sido preso e ter sua residência revistada, a polícia não encontrou provas concretas para torná-lo réu.
Denúncias anônimas apontaram também para dois negociadores franceses. Michel Cohen, acusado de fraudes milionárias nos Estados Unidos, que fugiu da Interpol no Rio em 2003, e Patrice Rouge, artesão radicado no Brasil. Ambos negam veementemente qualquer participação no crime.
Patrice Rouge fala pela primeira vez
Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, Patrice Rouge, que retornou à França em 2005, negou sua participação no roubo e classificou as acusações como absurdas. Ele afirma que a história o prejudicou imensamente e que sempre manteve uma relação transparente com a justiça, inclusive visitando a Polícia Federal no Rio em 2025 para obter um registro de suas entradas no país.
“A arte do descaso”: um livro sobre a negligência institucional
A jornalista Cristina Tardáguila, em seu livro “A Arte do Descaso”, publicado em 2015, detalha uma série de negligências e falta de empenho por parte das autoridades na investigação do roubo. Desde a demora da polícia em chegar ao local até a perda do inquérito policial, o caso evidencia uma falha na proteção do patrimônio cultural brasileiro.
A estrutura da Polícia Federal da época, a ausência de um banco de dados nacional de bens musealizados desaparecidos e a falta de priorização política para crimes contra o patrimônio cultural são apontados como fatores que contribuíram para a impunidade.
Reforço na segurança e esperança de recuperação
O Museu da Chácara do Céu implementou novas medidas de segurança desde o roubo. Atualmente, o museu fecha nos dias de Carnaval e conta com um sistema de vigilância moderno, com monitoramento 24 horas e equipe treinada. A diretoria do museu, Vivian Horta, ressalta que, apesar da prescrição do crime, a esperança de que as obras sejam encontradas e devolvidas permanece.
As cinco obras roubadas eram peças de grande valor histórico e artístico: a pintura “Marine” de Claude Monet, “Le Jardin du Luxembourg” de Henri Matisse, “La Danse” de Pablo Picasso, “Homme d’une Complexion Malsaine Écoutant le Bruit de la Mer sur les Deux Balcons” de Salvador Dalí, e o livro de gravuras “Toros” de Picasso.
O crime inspira o cinema
O caso do roubo de arte no Rio de Janeiro servirá de base para um longa-metragem ficcional, baseado no livro “A Arte do Descaso”. O produtor Daniel Furiati, que estava no bloco no dia do crime, expressou o compromisso de não glamourizar o roubo, destacando que ele se articula com outros tipos de criminalidade.
Com informações da Agência Brasil


