
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga crimes cibernéticos questionou a Meta, empresa dona do Facebook e Instagram, sobre seus lucros provenientes de atividades ilícitas na internet e sua capacidade de combater a exploração sexual de crianças e adolescentes.
Meta sob escrutínio
A diretora de política econômica para América Latina da Meta, Yara Alves, foi questionada sobre a postura da empresa em relação à regulação de anúncios fraudulentos. Senadores apresentaram notícias que indicam que documentos internos da Meta orientariam gestores a evitar a regulamentação que busca coibir golpes online.
“Trabalho com esse tema dentro da empresa há mais de dois anos e meio, nunca vi nenhum documento, e não me lembro de ter visto nenhum documento que trouxesse esse tipo de interesse ou de abordagem”, respondeu Alves.
Exploração sexual de crianças e adolescentes
A capacidade da Meta em detectar e impedir a divulgação de imagens de abuso sexual infantil nas redes sociais também foi um ponto central da audiência. O relator da CPI, Alessandro Vieira, citou um relatório de 2020 da ONG Human Trafficking Institute, que apontou o Facebook como a plataforma mais utilizada por traficantes sexuais para aliciar crianças, representando 65% dos casos.
Yara Alves admitiu não saber responder com precisão se as ferramentas da empresa são suficientes para impedir a transferência de fotos de pornografia infantil.
“Não sei explicar para o senhor se as nossas ferramentas de detecção proativa, a partir de metadados, etc., são suficientes para impedir a transferência de fotos, como o senhor falou especificamente, mas quero colocar aqui o time da Meta à disposição desta Comissão”, afirmou.
A diretora ressaltou, no entanto, que o combate à exploração sexual de crianças e adolescentes é uma prioridade da multinacional, que tem implementado medidas de controle parental para contas de adolescentes.
Perguntas sem respostas e nova convocação
A falta de respostas claras sobre limites da criptografia e o uso de algoritmos para favorecer conteúdos políticos levou o relator da CPI a solicitar o retorno do diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister.
“A empresa informou, ao pedir a substituição do diretor-geral por vossa excelência, que a senhora teria condições de atender perfeitamente [a CPI]. Novamente, em benefício desse princípio de boa-fé, que é tão bom nas relações, vamos entender que foi um erro de avaliação e vamos reiterar a convocação do diretor-geral”, declarou o relator.
Com informações da Agência Brasil


