A Amazônia Legal concentrou 46,9% dos conflitos no campo registrados em todo o Brasil em 2023. Dos 2.203 conflitos totais, 1.034 ocorreram dentro deste território, que abrange nove estados e 58,9% do território nacional. O estudo “Amazônia em Disputa: Conflitos Fundiários e Situação dos Defensores de Territórios”, da Oxfam Brasil, analisou a relação entre disputas por terra, violência territorial e indicadores sociais na região.

Pará e Maranhão no topo dos conflitos

Entre 2014 e 2023, o Pará registrou o maior número de conflitos fundiários, com 1.999 ocorrências. O Maranhão aparece em segundo lugar, com 1.926 casos no mesmo período. A disputa pela terra nesses estados está ligada a fatores como grilagem, desmatamento ilegal, garimpo, expansão do agronegócio e atuação de redes criminosas.

Dados de 2024 indicam que o Maranhão lidera com 365 ocorrências, mostrando uma retomada das disputas. O Pará registrou 240 casos em 2024, sendo o pico de 253 ocorrências em 2020.

Violência e baixo progresso social interligados

O estudo da Oxfam Brasil identificou uma relação direta entre a violência territorial na Amazônia Legal e os baixos indicadores sociais nos municípios afetados. Ao cruzar dados de conflitos com o Índice de Progresso Social (IPS Brasil), observou-se uma sobreposição entre alta incidência de disputas e desempenho fraco em necessidades básicas como saúde, saneamento, moradia e segurança.

Defensores de direitos humanos sob ataque

A violência sistemática contra defensores e defensoras de direitos humanos na região também foi destacada. Em 2021 e 2022, as organizações Terra de Direitos e Justiça Global mapearam 25 assassinatos relacionados a conflitos por terra e meio ambiente no país. Segundo a Oxfam, isso reforça a gravidade da situação, indicando que o assassinato de lideranças é parte de uma estratégia de controle territorial e silenciamento político.

Além dos assassinatos, a criminalização de lideranças, a omissão institucional e perseguições judiciais enfraquecem a resistência coletiva na região. O relatório da Oxfam avalia que o racismo ambiental é um elemento crucial nessas disputas, expondo comunidades negras, indígenas e tradicionais a violências fundiárias, contaminação ambiental e negação de direitos.

Com informações da Agência Brasil

Artigo anteriorMinistro da Justiça pede debate sobre financiamento para combater crime organizado após aprovação do PL Antifacção
Próximo artigoAmazônia Legal concentra quase metade dos conflitos de terra no Brasil em 2023, aponta estudo