
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aprovou nesta quinta-feira (26) a quebra dos sigilos bancários e fiscais do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O pedido foi feito pelo deputado Alfredo Gaspar (União/AL).
Investigação sobre Lulinha e a Operação Sem Desconto
A solicitação de quebra de sigilo de Lulinha surge em decorrência de sua citação em mensagens extraídas do celular de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Segundo os investigadores, as mensagens indicam o repasse de ao menos R$ 300 mil para “o filho do rapaz”, uma possível alusão a Lulinha. A investigação está ligada à Operação Sem Desconto, que apura um esquema nacional de descontos associativos não autorizados que prejudicou milhões de aposentados e pensionistas.
O deputado Alfredo Gaspar justificou a medida como um “imperativo técnico” para a CPMI do INSS. Em nota, a defesa de Lulinha negou qualquer relação do empresário com as fraudes, afirmando que ele não participou de desvios nem recebeu valores de fontes criminosas.
Outras Convocações e Quebras de Sigilo Aprovadas
Além da quebra de sigilo de Lulinha, a CPMI aprovou outros 86 requerimentos. Entre eles, destacam-se a quebra dos sigilos bancário e fiscal do Banco Master e a convocação de diversas personalidades. Foi aprovada a convocação do ex-deputado federal André Luis Dantas Ferreira, o André Moura, apontado como um dos possíveis articuladores do esquema de fraude no INSS, especialmente em Sergipe.
Também foram chamados para depor a empresária Danielle Miranda Fontelles, suspeita de operar estruturas de fraudadores no exterior para circulação internacional de capitais e lavagem de dinheiro, e Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA), que foi alvo da Operação Sem Desconto por supostas relações com integrantes do esquema.
A quebra de sigilo bancário e fiscal do Banco Master foi solicitada em razão de suspeitas de que o ex-executivo e sócio da instituição, Augusto Ferreira Lima, teria atuado em manobras operacionais para ocultar irregularidades identificadas pelo Banco Central.
Tumulto e Depoimentos na Comissão
A votação dos 87 requerimentos ocorreu em bloco, sem discussão individual. Ao final da proclamação do resultado, houve um tumulto na sala da comissão, com empurra-empurra e trocas de socos, o que levou à interrupção da reunião.
A CPMI também ouvirá o depoimento do empresário Paulo Camisotti, investigado por suposta participação em uma fraude bilionária contra aposentados e pensionistas. Seus pai e sócio, Maurício Camisotti, encontra-se preso.
Os parlamentares pretendiam ouvir o deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSB/MA) e o advogado Cecílio Galvão. Araújo alegou motivo de saúde e proibição judicial de deixar São Luís, enquanto Galvão citou compromissos profissionais. O presidente da comissão determinou que providências sejam tomadas para a condução coercitiva de Galvão.
Com informações da Agência Brasil


