
Brasil – O ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (Republicanos), afirmou nesta segunda-feira (6) que pretende disputar o governo do estado caso o STF (Supremo Tribunal Federal) decida que a escolha para o mandato-tampão será por eleições diretas.
“O meu partido, Republicanos, decidiu que, caso as eleições sejam diretas, o nome indicado para disputar será o meu”, afirmou Garotinho em publicação nas redes sociais.
Segundo ele, a decisão tomada em conjunto com o partido tem como objetivo “enfrentar as máfias que dominam o Rio de Janeiro”. O ex-governador também disse ser contrário à realização de eleições indiretas, modelo em que os 70 deputados estaduais escolheriam o sucessor do governador Cláudio Castro.
No dia 26 de março, o ministro Cristiano Zanin, do STF, anulou a condenação de Garotinho por compra de votos nas eleições de 2016. Na decisão, o magistrado afirmou que, apesar da gravidade das acusações, os elementos reunidos na investigação não foram suficientes para comprovar os crimes.
Condenação na Operação Chequinho
Governador do Rio entre 1999 e 2002, Garotinho havia sido condenado a 13 anos e 9 meses de prisão, além de multa, pelos crimes de corrupção eleitoral, associação criminosa, supressão de documento público e coação no curso do processo.
O suposto esquema foi investigado na Operação Chequinho, deflagrada pela Polícia Federal em 2016, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.
Segundo o Ministério Público Eleitoral (MPE), as irregularidades teriam ocorrido entre maio e agosto de 2016, quando o programa social Cheque Cidadão teria sido usado para cooptar votos para o grupo político de Garotinho. À época, o programa atendia mais de 17 mil beneficiários.
De acordo com a acusação, o benefício teria sido utilizado para que famílias de baixa renda se comprometessem a votar em candidatos apoiados pelo grupo político do ex-governador.
Naquele período, a prefeita de Campos dos Goytacazes era Rosinha Matheus, esposa de Garotinho. Ele ocupava o cargo de secretário municipal de Governo.
Julgamento no STF
O plenário do STF vai julgar nesta quarta-feira (8) as regras que definirão a eleição para o mandato-tampão de governador do Rio de Janeiro. A data foi marcada pelo presidente do tribunal, ministro Edson Fachin.
A decisão sobre o modelo da eleição será tomada pelos dez ministros da Corte, em sessão pública com debate entre os integrantes do tribunal.
O julgamento ocorre após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidir pela cassação e inelegibilidade do então governador Cláudio Castro, do ex-vice-governador Thiago Pampolha e do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar. Um dia antes da condenação, Castro renunciou ao cargo.
Até a realização da eleição para o mandato-tampão, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, ocupa interinamente o cargo de governador.


