A nova atualização das anomalias de temperatura no Oceano Pacífico equatorial indica aceleração do aquecimento na região, com sinais consistentes de fortalecimento do El Niño. Projeções meteorológicas apontam que os efeitos na atmosfera devem começar a ser percebidos de forma mais clara a partir de julho, com mudanças no regime de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do Brasil.

Dados recentes mostram que a região Niño 3.4, considerada essencial para o monitoramento do fenômeno, registrou anomalia de +0,7°C. Já a área Niño 1+2, próxima à costa do Peru, atingiu +2,1°C, nível associado a aquecimento muito intenso.

O avanço do aquecimento é influenciado por fatores como a Oscilação Madden-Julian, que favorece o enfraquecimento dos ventos alísios e facilita o aquecimento das águas superficiais do Pacífico equatorial. Com isso, o sistema climático entra em fase de intensificação do El Niño.

Os impactos previstos para o Brasil variam por região. No Sul, a tendência é de chuvas acima da média e maior risco de eventos extremos. No Norte e Nordeste, o padrão esperado é de redução das precipitações e maior estiagem. Já no Sudeste e Centro-Oeste, os efeitos mais prováveis são aumento do calor e intensificação da seca a partir da primavera, com possibilidade de temperaturas até 4°C acima da média histórica em áreas mais afetadas.

Especialistas destacam que há diferentes critérios para definir o início oficial do fenômeno. Em uma metodologia, o Pacífico já apresentaria condições de El Niño desde abril; em outra, o marco seria atingido apenas agora, em junho, ao considerar ajustes relacionados ao aquecimento global de fundo.

Independentemente da metodologia, o cenário atual indica tendência consistente de aquecimento, embora os impactos finais dependam da interação com outros sistemas atmosféricos ao longo dos próximos meses, com possíveis efeitos relevantes para a agricultura e a gestão hídrica no país.

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