Nesta terça-feira (4), Jair Bolsonaro (PL) completa um ano desde que passou a cumprir medidas que restringem sua liberdade. O período foi marcado por decisões judiciais, mudanças no regime de custódia, condenação no Supremo Tribunal Federal (STF), problemas de saúde e novas limitações impostas ao ex-presidente.

Ao longo dos últimos 12 meses, Bolsonaro deixou a prisão domiciliar determinada em agosto de 2025 para cumprir prisão preventiva e, posteriormente, iniciou o cumprimento da pena após o encerramento do processo. Meses depois, voltou ao regime domiciliar por razões de saúde.

Mesmo afastado das atividades políticas presenciais, Bolsonaro continuou ocupando espaço no debate eleitoral e mantendo influência sobre setores da direita brasileira. Confira os principais episódios do período:

4 de agosto de 2025 — Prisão domiciliar

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que Bolsonaro cumprisse prisão domiciliar. A decisão foi tomada sob a alegação de descumprimento de medidas cautelares relacionadas à utilização de redes sociais.

Segundo a decisão, manifestações feitas pelo ex-presidente por telefone durante atos ocorridos naquele período acabaram sendo divulgadas nas redes sociais por aliados e familiares.

11 de setembro de 2025 — Condenação no STF

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e à abolição do Estado Democrático de Direito.

O julgamento terminou com placar de 4 votos a 1. Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia votaram pela condenação, enquanto Luiz Fux divergiu.

22 de novembro de 2025 — Prisão preventiva

A prisão domiciliar foi substituída por prisão preventiva após Moraes apontar uma suposta violação da tornozeleira eletrônica utilizada pelo ex-presidente.

Com a decisão, Bolsonaro foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

25 de novembro de 2025 — Início do cumprimento da pena

Três dias depois da prisão preventiva, o STF declarou o trânsito em julgado da ação penal que envolvia Bolsonaro.

Com o encerramento da possibilidade de novos recursos, teve início a execução definitiva da pena aplicada ao ex-presidente.

6 de janeiro de 2026 — Queda na Polícia Federal

Enquanto estava custodiado na Superintendência da PF, Bolsonaro sofreu uma queda dentro da cela e bateu a cabeça.

Ele foi encaminhado ao Hospital DF Star, onde passou por exames que identificaram um traumatismo craniano considerado leve. O ex-presidente retornou à unidade prisional no dia seguinte.

15 de janeiro de 2026 — Transferência para a Papudinha

Após pouco mais de 50 dias na Superintendência da Polícia Federal, Bolsonaro foi transferido por determinação de Moraes para a chamada “Papudinha”, uma unidade localizada no Complexo Penitenciário da Papuda.

A mudança ocorreu em meio a discussões sobre as condições de permanência do ex-presidente na sede da PF, incluindo reclamações relacionadas ao ambiente e às regras de visitação.

13 de março de 2026 — Internação por broncopneumonia

Bolsonaro foi internado na UTI do Hospital DF Star, em Brasília, após apresentar um quadro de broncopneumonia bacteriana.

Na ocasião, o ex-presidente teve febre alta, redução da saturação de oxigênio, suor excessivo e calafrios. A internação se prolongou por cerca de duas semanas.

24 de março de 2026 — Prisão domiciliar por razões de saúde

Diante do quadro clínico apresentado por Bolsonaro, Moraes autorizou que ele deixasse a prisão e passasse a cumprir a pena em regime domiciliar por motivos humanitários.

A medida inicialmente foi estabelecida pelo período de 90 dias, atendendo a um pedido da defesa que havia recebido manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

3 de julho de 2026 — Prorrogação da prisão domiciliar

A prisão domiciliar foi prorrogada por Moraes no início de julho.

Na mesma decisão, o ministro determinou a apreensão de armas registradas em nome do ex-presidente e a revogação de seu registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC). A medida ocorreu após a apreensão, em junho, de uma arma vinculada a Bolsonaro durante uma fiscalização de trânsito.

11 de julho de 2026 — Carta de Bolsonaro é lida por Flávio

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou uma carta escrita pelo pai e destinada ao público.

No texto, Bolsonaro defendeu a necessidade de superar divergências e indicou Flávio como seu nome para disputar a Presidência da República.

13 de julho de 2026 — Flávio é impedido de visitar o pai

Após a divulgação da carta, Moraes determinou novas restrições relacionadas às visitas a Bolsonaro.

Entre as medidas, Flávio Bolsonaro foi impedido de visitar o pai. A decisão considerou que a divulgação da mensagem poderia representar descumprimento das restrições impostas ao ex-presidente sobre o uso de plataformas digitais.

25 de julho de 2026 — Bolsonaro aparece em vídeo produzido por IA

Durante a convenção partidária que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, foi apresentado um vídeo produzido com inteligência artificial que reproduzia a imagem e a voz do ex-presidente.

A utilização da tecnologia provocou reação no meio político e passou a ser analisada também no âmbito judicial. Moraes determinou que a defesa de Bolsonaro esclarecesse se ele havia autorizado a divulgação do material.

Os advogados do ex-presidente afirmaram que Bolsonaro não havia autorizado a veiculação do vídeo.

4 de agosto de 2026 — Um ano sob restrições

Um ano após a primeira decisão que determinou sua prisão domiciliar, Bolsonaro permanece submetido a restrições judiciais e continua no centro do debate político nacional.

Mesmo afastado fisicamente das atividades políticas, o ex-presidente segue exercendo influência sobre o campo da direita e suas decisões continuam repercutindo no cenário eleitoral de 2026.

A trajetória ao longo desses 365 dias foi marcada por sucessivas decisões judiciais, mudanças na forma de cumprimento da pena, problemas de saúde e novas restrições, enquanto o nome de Bolsonaro permaneceu presente nas articulações políticas para as eleições deste ano.

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