
A proximidade do Carnaval acende o sinal de alerta em diversos estados brasileiros devido ao aumento de casos de intoxicação e mortes associadas ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. São Paulo, Pernambuco, Bahia, Paraná e Mato Grosso já registraram ocorrências significativas e intensificam ações de fiscalização e conscientização para garantir a segurança dos foliões.
Em 2025, o Brasil confirmou 76 casos de intoxicação por metanol ligada ao consumo de bebidas alcoólicas, com 25 óbitos confirmados e outras 29 ocorrências em investigação. Até fevereiro deste ano, sete casos foram confirmados e 13 estão sob apuração.
São Paulo lidera o número de casos
O estado de São Paulo é o mais afetado, com 52 casos confirmados e 12 mortes. A Secretaria de Estado da Saúde paulista reforça a importância de adquirir bebidas apenas de estabelecimentos regularizados, verificar a procedência e evitar produtos de origem desconhecida. O Centro de Vigilância Sanitária (CVS) coordena ações com as Vigilâncias Sanitárias Municipais para inspecionar estabelecimentos e vendedores ambulantes.
Pernambuco e Bahia em alerta
Em Pernambuco, foram confirmados oito casos de intoxicação por metanol, incluindo cinco óbitos em outubro e novembro de 2025. A Secretaria Estadual de Saúde alerta para os riscos de bebidas destiladas de procedência duvidosa e recomenda desconfiar de preços muito baixos, evitar misturas prontas em recipientes inadequados e comprar de estabelecimentos licenciados. A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) planeja mais de quinhentas inspeções.
A Bahia registrou nove casos de intoxicação por metanol, com três óbitos. A Secretaria da Saúde (Sesab) reforçou os estoques do antídoto para tratamento e incentiva os municípios a intensificar a fiscalização da venda de bebidas destiladas.
Outros estados e ações preventivas
O Paraná confirmou seis casos, com três mortes. Mato Grosso registrou seis ocorrências confirmadas e quatro óbitos. Ambos os estados intensificaram a vigilância e recomendam cautela aos foliões, buscando atendimento médico imediato em caso de sintomas como visão turva, dor abdominal intensa, tontura ou confusão mental após o consumo de bebidas alcoólicas.
No Rio de Janeiro, apesar de não haver registros de casos de metanol, o estado implementou o Laboratório Itinerante do Consumidor, que circula por blocos e pelo Sambódromo para testar bebidas com indícios de falsificação em tempo real. Cerca de 26 litros de bebidas falsificadas foram apreendidos e testados em ações recentes.
Sinais e sintomas de intoxicação por metanol
- Iniciais (até 6h após ingestão): dor abdominal intensa, sonolência, falta de coordenação, tontura, náuseas, vômitos, dor de cabeça, confusão mental, taquicardia e pressão arterial baixa.
- Entre 6h e 24h: visão turva, fotofobia, visão embaçada, pupilas dilatadas, perda da visão das cores, convulsões, coma e acidose metabólica grave.
- Casos graves: cegueira irreversível, choque, pancreatite, insuficiência renal, necrose de gânglios da base com tremores e rigidez.
O metanol, diferente do etanol (álcool comum), gera substâncias altamente tóxicas ao ser metabolizado, afetando o sistema nervoso e podendo levar à morte. Os sintomas podem surgir de forma progressiva, geralmente entre seis e 24 horas após a ingestão. Alterações visuais são consideradas características e não devem ser ignoradas.
As autoridades de saúde recomendam que, em caso de suspeita de intoxicação por metanol, é crucial procurar atendimento médico imediatamente, relatando o consumo de bebida de origem duvidosa e, se possível, levando a embalagem ou uma amostra do produto.
Com informações da Agência Brasil


