Brasil – As anotações de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre as negociatas nos Estados para amparar a chapa presidencial, reveladas nesta quarta-feira (25), causaram um novo atrito com a madrasta, Michelle Bolsonaro (PL).

As lágrimas derramadas no encontro com parlamentares da base bolsonarista foram ignoradas pela ex-primeira-dama, que vê uma nova ameaça do enteado a caminho, após ser retirada da disputa presidencial pelo marido, Jair Bolsonaro (PL), que preferiu ungir o filho de dentro da cela da Papudinha.

Em seu discurso aos aliados, ao lado de Nikolas Ferreira, Flávio chorou ao dizer que com a prisão do pai “todo mundo sofre, eu sofro, o Carlos sofre, o Eduardo, a família, a Michelle sofre” e mandou um aceno à madrasta.

“Em função disso a gente acaba, às vezes, querendo que as coisas aconteçam num tempo que não é o tempo que tem que acontecer ainda”, declarou, fazendo referência ao fato de Michelle não vir demonstrando apoio à sua candidatura.

“Então, eu respeito todos. Respeito muito a Michelle. Respeito cada um que está aqui, que está, no seu tempo, querendo entrar de corpo e alma. E, de verdade, eu entendo. Mas essa realidade que a gente vive, que muitos não tiveram a oportunidade de visitá-lo lá para ver como ele está, isso que às vezes dá uma aflição na gente. A gente tem que vestir a camisa, pô, esse negócio é sério, não é só por ele, não”, emendou, conclamando a madrasta a embarcar na pré-campanha.

As lágrimas, no entanto, não convenceram Michelle Bolsonaro, que segue irredutível em demonstrar apoio ao enteado nas redes.

A situação se agravou com a anotação de Flávio sobre a formação da chapa no Distrito Federal, onde a ex-primeira-dama pretende concorrer a uma vaga ao Senado após ser escanteada da disputa presidencial pelo clã.

No papel, o PL coloca a atual vice-governadora, Celina Leão (PP), como candidato ao governo do Estado, com Michelle e Bia Kicis (PL-DF) candidatas ao Senado.

No entanto, Flávio anotou a mão que “não dá para oficializar” a chapa, caso o atual governador, Ibaneis Rocha (MDB), seja realmente candidato ao Senado, mesmo diante do escândalo envolvendo a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília.

Caso Ibaneis exija o Senado para atrair o MDB para a chapa no DF, Flávio terá que descartar a madrasta ou Bia Kicis, que tem grande potencial de votos e comanda o PL no Distrito Federal.

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