
Em junho de 2025, Manaus foi palco de uma das tragédias mais simbólicas e revoltantes envolvendo a perda de uma gestante e de um bebê ainda no ventre, episódio que voltou a ganhar força diante da recente morte do recém-nascido David Benedito, filho do prefeito David Almeida. Naquele mês, a biomédica esteta Giovana Ribeiro da Silva, de 29 anos, grávida de sete meses, morreu após sofrer um grave acidente de motocicleta na avenida Djalma Batista, Zona Centro-Sul da capital.
Giovana estava na garupa da motocicleta conduzida pelo companheiro, João Vitor, quando ele tentou desviar de um buraco aberto na via. Com o impacto, a jovem foi arremessada contra o canteiro central e morreu no local. O Samu ainda tentou salvar a bebê, que se chamaria Maria Carolina, mas a criança não resistiu.
Após o acidente, a Prefeitura de Manaus fechou o buraco na avenida apenas na manhã seguinte, o que intensificou as críticas sobre a falta de manutenção das vias públicas e a responsabilidade do poder municipal. A tragédia provocou forte reação popular nas redes sociais, com cobranças diretas ao Executivo.
Em meio à dor, a fala do marido da vítima ganhou repercussão ao fazer uma conexão direta com a vida pessoal do prefeito. Em declaração pública, João Vitor afirmou que não se tratava de “mais uma estatística” e pediu empatia. Ele lembrou que o prefeito também vivia a expectativa de ser pai e disse: “Agora, a sua mulher está grávida. O senhor imagina a dor que é o senhor colocar no meu lugar, prefeito. Empatia”.
“Não é mais uma vida, não é mais uma estatística, prefeito. Elas existem, prefeito. Elas existiam. Agora o senhor me tirou isso, mas o senhor vai ser pai, prefeito. Agora, a sua mulher está grávida. O senhor imagina a dor que é o senhor colocar no meu lugar, prefeito. Empatia. Ninguém nessa cidade é mais culpado do que o senhor. Ninguém, prefeito. É só o senhor que carrega essa culpa nas suas costas”, disse João Vitor, em declaração direcionada ao prefeito de Manaus, David Almeida (Avante).
A declaração, feita meses antes da perda do filho recém-nascido do prefeito, voltou a ser lembrada por moradores da capital como um símbolo da distância entre o sofrimento vivido por famílias comuns e a resposta do poder público. Para muitos, os dois episódios expõem, sob perspectivas diferentes, a fragilidade da vida e a urgência de políticas públicas que priorizem segurança, infraestrutura e cuidado com gestantes, mães e crianças em Manaus.


