Após a prisão da ex-chefe de gabinete de David Almeida nesta sexta-feira, surgem novos indícios de supostas ligações do prefeito com o Comando Vermelho (CV) e esquemas de favorecimento a criminosos durante sua gestão. Ana Bela Cardoso de Freitas, que integrou a comissão de licitação da Prefeitura de Manaus e atuou como chefe de gabinete do prefeito até 2023, foi detida na operação “Erga Omnes”, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), que mira o núcleo político da facção criminosa.

Relatórios de inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública apontam que, em 2020, durante a campanha eleitoral, cerca de R$ 70 mil teriam sido repassados a integrantes do CV em troca de apoio. Traficantes teriam solicitado votos em áreas pobres da cidade e recebido, além do dinheiro, benfeitorias em infraestrutura. Mensagens obtidas em celulares de líderes da facção sugerem que assessores do prefeito teriam intermediado esses acordos.

As investigações indicam que David Almeida e seu vice, Marcos Rotta, mantiveram contatos com a facção, configurando tratativas consideradas antirrepublicanas. O relatório aponta diálogos em aplicativos de mensagens entre o gerente do tráfico e membros da campanha do prefeito, evidenciando negociação de votos em troca de benefícios a regiões dominadas pela facção.

Além das suspeitas de ligação com o crime organizado, Almeida enfrenta denúncias de enriquecimento suspeito durante a pandemia de Covid-19. Ele teria adquirido quatro postos de combustível, uma loja de conveniência e uma transportadora em curto período, com parte do patrimônio registrada em nome de familiares próximos, incluindo cunhado e sobrinho.

Segundo a Polícia Civil, a facção movimentava cerca de R$ 9 milhões por ano, com Manaus funcionando como um dos principais pontos de articulação. Ao todo, 14 pessoas foram presas na operação, sendo oito na capital, e a Justiça expediu 23 mandados de prisão preventiva, 24 mandados de busca e apreensão, além de autorizar a quebra de sigilo bancário e bloqueio de contas.

A operação segue em andamento e também ocorre em outros estados, incluindo Ceará, Piauí, Pará, Maranhão, São Paulo e Minas Gerais, reforçando a amplitude do esquema e a possível participação de figuras políticas no núcleo de apoio da facção criminosa.

O episódio lança uma nova sombra sobre a administração de David Almeida, aumentando a pressão sobre o prefeito e levantando dúvidas sobre a legalidade e a ética de sua gestão, enquanto Manaus enfrenta questionamentos sobre a segurança pública e o combate ao crime organizado na cidade.

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