As festas de carnaval deste ano foram financiadas com R$ 85 milhões de recursos públicos, sendo cerca de R$ 52 milhões provenientes de emendas parlamentares indicadas por governadores e senadores. Órgãos federais e instituições financeiras também injetaram dinheiro nos eventos, incluindo patrocínios a shows e camarotes.

Em ano eleitoral, o repasse de recursos para o carnaval é visto por especialistas como uma forma de parlamentares se aproximarem de eleitores e fortalecerem sua imagem. Este ano, o caso que gerou maior repercussão foi o da escola de samba Acadêmicos de Niterói, cujo samba-enredo homenageou o presidente Lula. A agremiação recebeu cerca de R$ 1 milhão em recursos federais, o que motivou críticas de opositores sobre possível uso político do dinheiro público.

Embora órgãos de controle tenham sugerido que o repasse não fosse feito, o valor foi liberado mediante análise que envolveu a própria escola, a Liga das Escolas de Samba e a Presidência. Autoridades afirmaram que não houve favorecimento, destacando que outras escolas do Grupo Especial receberam quantias semelhantes.

A Caixa Econômica Federal destinou R$ 14,8 milhões para eventos, camarotes e shows em diferentes estados, com artistas como BayanaSystem, Luiz Caldas e Saulo. Prefeituras também investiram altos valores em apresentações, incluindo Wesley Safadão (R$ 1,2 milhão), Alok e Simone Mendes (R$ 950 mil cada). Governos estaduais reforçaram a verba: no Rio de Janeiro, foram R$ 40 milhões; a Riotur repassou R$ 51,6 milhões; e São Paulo investiu R$ 30,2 milhões.

Entre os parlamentares que destinaram recursos via emendas, Guilherme Boulos (Psol) enviou R$ 500 mil para a escola Vai-Vai. A Comissão de Turismo e a Bancada da Bahia repassaram R$ 9 milhões e R$ 30 milhões, respectivamente.

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