A Casas Bahia enfrenta dezenas de ações de despejo movidas por proprietários e administradores de imóveis em diferentes cidades de São Paulo. Os processos envolvem lojas em shoppings, imóveis comerciais e galpões usados na operação logística da empresa.

Nos documentos apresentados no processo de recuperação judicial, a varejista afirma que manter os contratos de aluguel é fundamental para a continuidade das atividades. Segundo a companhia, as lojas físicas representam mais da metade da receita operacional.

Um dos casos envolve dois galpões logísticos em Contagem (MG) e São José dos Pinhais (PR), pertencentes ao HSI Logística. A gestora informou que os aluguéis de julho foram pagos, mas os valores com vencimento em agosto ainda estavam pendentes. A empresa foi notificada sobre a inadimplência e poderá recorrer à Justiça para retomar os imóveis.

Em São Paulo, há ações por falta de pagamento em cidades como Osasco, Mogi das Cruzes, Cubatão, Guarujá, Diadema, Santo André, Jundiaí, Itatiba, Piracicaba, São Bernardo do Campo, Taboão da Serra, Marília, Itapevi, Ubatuba, Votorantim e Guarulhos, além da capital. Entre os processos, há casos movidos por shopping centers.

Especialistas ouvidos pela reportagem ressaltam, porém, que a existência das ações não significa que todas as unidades serão desocupadas. Cada processo precisa ser analisado individualmente, considerando a situação da dívida e a relevância do imóvel para a operação.

A recuperação judicial também não impede automaticamente ações de despejo. Embora possa suspender determinadas cobranças e medidas contra o patrimônio da empresa, os imóveis alugados pertencem aos proprietários e podem ser alvo de pedidos de retomada.

Outro ponto de atenção são os aluguéis que vencem após o início da recuperação judicial. Essas obrigações, em regra, não fazem parte do plano e precisam continuar sendo pagas, o que pode aumentar a pressão sobre o caixa da companhia.

O grupo ocupa cerca de 1,07 milhão de metros quadrados em imóveis industriais e logísticos no Brasil, segundo levantamento da Newmark. São Paulo concentra a maior parcela, com aproximadamente 358 mil m², seguido por Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco.

A dependência da rede de imóveis alugados aumenta os riscos para a empresa, entre eles a perda de pontos estratégicos, interrupções nas operações, custos de transferência e impactos na logística e na geração de receitas.

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