
O caso do sargento da Polícia Militar Saimon Macambira Jezini expõe uma das contradições mais graves recentes da segurança pública no Amazonas. Mesmo respondendo por um suposto atentado motivado por ciúmes contra o músico Eduardo Oliveira, conhecido como “Dubarranco”, e sua filha de 4 anos, investigações apontam que o policial mantinha uma rotina de circulação livre e atividades cotidianas em Manaus, apesar de estar oficialmente detido.
O caso ganhou repercussão nacional após reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, com base em denúncias do portal CM7 Brasil. Imagens de câmeras de segurança mostram o sargento em situações cotidianas, como compras em estabelecimentos, enquanto as vítimas ainda convivem com as consequências do ataque.
O crime e a motivação
O atentado ocorreu em 9 de agosto de 2025, na zona Centro-Sul de Manaus, logo após um show de Dubarranco no bairro Parque Dez. O músico estava no carro com a esposa e a filha quando o veículo foi alvejado por disparos feitos por um homem em uma motocicleta.
Segundo o Ministério Público do Amazonas (MPAM), o crime teria sido motivado por “ciúme e vingança”. As investigações indicam que o sargento teria descoberto um relacionamento anterior entre o músico e sua atual companheira, durante um período de separação.
O MP também aponta que Saimon teria articulado a ação com outro policial militar, o cabo Jobison de Souza Vieira, apontado como executor dos disparos.
Durante a Operação Desbarranco, em outubro de 2025, o sargento foi preso e a polícia apreendeu um arsenal com mais de 20 armas de fogo, incluindo fuzis, pistolas e espingardas, além de grande quantidade de munições.
Vítimas com sequelas graves
O ataque deixou três pessoas feridas. Dubarranco foi atingido por quatro tiros e sofreu fraturas graves, além da perda de função no nervo radial, o que compromete sua capacidade de tocar instrumentos.
A filha de 4 anos foi atingida por três disparos, teve o pulmão perfurado e o braço fraturado, precisando de transfusão com seis bolsas de sangue em estado crítico. A esposa do músico também foi baleada na perna. Todos sobreviveram após atendimento médico intensivo.
Caso vai a júri popular
Em decisão recente, o juiz Fábio César Olintho de Souza, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Manaus, determinou que Saimon Macambira e o cabo Jobison de Souza Vieira serão levados a júri popular.


