
O Censo Escolar 2025 registrou uma queda de 1,082 milhão de matrículas na educação básica em comparação com o ano anterior, totalizando 46,018 milhões de estudantes. Segundo o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), essa redução não representa um problema, mas sim um indicativo de maior eficiência do sistema educacional brasileiro.
Redução de matrículas e demografia
A diminuição de 2,29% nas matrículas, que representa 1,082 milhão de alunos a menos, é explicada principalmente pela redução da população em idade escolar, especialmente nas faixas de 0 a 4 anos e de 15 a 17 anos. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, apresentados pelo Inep, mostram que a projeção para a população de 0 a 3 anos recuou 8,4% entre 2022 e 2025.
Apesar da queda no número total de matrículas, a taxa de atendimento educacional na faixa etária até 3 anos subiu 4,3 pontos percentuais entre 2019 e 2024, atingindo 39,8%. Na faixa etária de 4 a 17 anos, onde a frequência à escola é obrigatória, o índice de frequência chega a 97,2%, segundo dados do IBGE de 2024.
Melhora na distorção idade-série e repetência
Outro fator apontado pelo MEC para a queda nas matrículas é a redução das taxas de repetência e a melhoria dos indicadores de distorção idade-série. O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou que a redução da distorção idade-série no ensino médio foi de 61% entre 2022 e 2025, passando de 27,2% para 13,99% apenas no 3º ano.
“Os alunos estão repetindo menos. Antes, a retenção inchava o sistema. Passando ano a ano, à medida que eu reduzo a distorção idade-série e dou oportunidades aos alunos que estão atrasados para eles concluam, eu reduzo o número de matrículas”, explicou Santana.
Avanços na educação infantil e conectividade
O Censo Escolar 2025 também aponta avanços na educação infantil, com 41,8% das crianças de 0 a 3 anos tendo acesso à creche, aproximando-se da meta de 50% do Plano Nacional de Educação (PNE). O MEC informou a criação de 48,5 mil novas vagas em creches e pré-escolas em 2025 e prevê investir R$ 7,37 bilhões para a construção de mais 1.670 creches pelo Novo PAC.
A conectividade nas escolas da educação básica também apresentou melhora significativa, com o percentual de escolas com acesso à internet saltando de 82,8%, em 2021, para 94,5%, em 2025. O investimento de R$ 3 bilhões entre 2023 e 2025 contribuiu para o aumento da conectividade adequada para fins pedagógicos de 45% para 70% das escolas, com o maior desafio concentrado na região Norte.
Análise de especialistas
Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, corrobora os motivos apontados pelo MEC, destacando que, apesar de ser o menor número de matrículas desde 2021, o dado precisa ser analisado em conjunto com informações demográficas e de frequência escolar.
“Isso significa que, embora haja menos jovens, uma parcela maior deles está, de fato, na escola. Dito isso, o desafio permanece: precisamos garantir que todos os estudantes tenham acesso, permanência e qualidade no aprendizado em todas as etapas. E isso exige uma articulação federativa mais forte e estratégica”, afirmou.
Com informações da Agência Brasil


