As contas externas do Brasil apresentaram um saldo negativo de US$ 8,360 bilhões em janeiro de 2026. O resultado representa uma melhora em relação ao mesmo período de 2025, quando o déficit nas transações correntes foi de US$ 9,809 bilhões, conforme dados divulgados pelo Banco Central (BC).

Superávit comercial impulsiona resultado

A diminuição do déficit é atribuída, em grande parte, ao aumento de US$ 2,1 bilhões no superávit comercial. Segundo Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, essa elevação ocorreu devido à redução generalizada das importações em todos os setores, refletindo a desaceleração da atividade econômica no país.

Serviços e renda primária

Outro fator de contribuição para a melhora do saldo foi a redução de US$ 581 milhões no déficit da conta de serviços. No entanto, houve um aumento de US$ 1,3 bilhão no déficit em renda primária, que abrange pagamentos de juros, lucros e dividendos de empresas.

Balança comercial e viagens

Em janeiro de 2026, as exportações de bens registraram US$ 25,282 bilhões, uma queda de 1,2% em relação a janeiro de 2025. As importações totalizaram US$ 21,766 bilhões, com uma retração de 10%. Com isso, a balança comercial apresentou um superávit de US$ 3,516 bilhões no mês, superior aos US$ 1,396 bilhão de janeiro do ano anterior.

O déficit na conta de serviços diminuiu 12,8%, alcançando US$ 3,972 bilhões. Contudo, a conta de viagens internacionais apresentou um déficit 48,4% maior, chegando a US$ 1,453 bilhão, impulsionado pelo aumento nas despesas de brasileiros no exterior.

Renda primária e secundária

O déficit em renda primária aumentou 18,7% em janeiro de 2026, totalizando US$ 8,312 bilhões. Essa conta, normalmente deficitária, reflete os investimentos estrangeiros no Brasil. Já a conta de renda secundária registrou um superávit de US$ 408 milhões.

Déficit em 12 meses e investimentos

Nos 12 meses encerrados em janeiro de 2026, o déficit em transações correntes somou US$ 67,551 bilhões, representando 2,92% do PIB. Houve uma redução em comparação ao período encerrado em janeiro de 2025, quando o déficit foi de US$ 72,421 bilhões (3,35% do PIB).

O país tem apresentado uma tendência de redução do déficit externo em 12 meses desde setembro de 2025, com o déficit sendo financiado por capitais de longo prazo, especialmente por Investimento Direto no País (IDP). O IDP somou US$ 8,168 bilhões em janeiro de 2026, acima dos US$ 6,708 bilhões em igual mês de 2025.

Nos 12 meses até janeiro de 2026, o IDP acumulou US$ 79,137 bilhões (3,42% do PIB). Os investimentos em carteira registraram entrada líquida de US$ 8,867 bilhões em janeiro, o maior valor desde julho de 2018. As reservas internacionais atingiram US$ 364,367 bilhões em janeiro.

Com informações da Agência Brasil

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