CPI avança em investigações e pede convocação de figuras chave

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado aprovou dezenas de requerimentos, incluindo a convocação do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, do ex-presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, e do ex-ministro da Fazenda, Paulo Guedes. A ida dessas personalidades à CPI é obrigatória, sob pena de condução coercitiva em caso de ausência.

Quebra de sigilos e nova fase de investigações

Na mesma sessão, a CPI quebrou os sigilos fiscal e bancário do Banco Master e de sócios de Vorcaro, além da Reag Investimentos, ligada às fraudes. O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), declarou que a comissão entra em uma nova fase, focando em “esquemas do andar de cima”.

Convites a autoridades e ex-ministros

Foram aprovados convites (comparecimento opcional) aos ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Também receberam convites o ex-ministro Guido Mantega, o atual ministro Rui Costa e o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo.

Ex-ministros da Cidadania sob escrutínio

Os ex-ministros da Cidadania do governo Bolsonaro, João Roma e Ronaldo Vieira Remo, foram convocados para depor. O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) destacou a proximidade de Roma com Ronaldo Bento, que o substituiu na pasta e consta como diretor do Banco Pleno.

Desregulação do mercado financeiro em pauta

A convocação de Roberto Campos Neto visa apurar a desregulação do mercado financeiro durante sua gestão no BC, que teria favorecido fraudes como a do Banco Master. A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) apontou que Vorcaro obteve autorização para operar no sistema financeiro apenas em 2019, sob a presidência de Campos Neto.

O senador Jaques Wagner (PT-BA) citou resoluções do BC durante a gestão de Campos Neto que promoveram a desregulamentação, questionando se criaram um ambiente propício para exploração por criminosos.

Oposição contesta convocações

A oposição criticou a convocação de Campos Neto, alegando motivação político-eleitoral. O senador Marco Rogério (PL-RO) defendeu o ex-presidente do BC, afirmando que ele foi respeitado nacional e internacionalmente.

Paulo Guedes convocado para explicar políticas de desregulação

Randolfe Rodrigues justificou a convocação de Paulo Guedes para investigar se as políticas de desregulação do mercado financeiro entre 2019 e 2022 facilitaram a lavagem de dinheiro. A oposição, incluindo o senador Sérgio Moro (União-PR), também denunciou “uso político-eleitoral” da CPI, questionando o envolvimento de Guedes com o Banco Master.

Requerimentos rejeitados

A CPI rejeitou a convocação da administradora Letícia Caetano dos Reis e do ex-ministro do Trabalho e Previdência Social, José Carlos Oliveira.

Com informações da Agência Brasil

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