O governo dos Estados Unidos comunicou ao presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, que pretende classificar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A informação foi divulgada na sexta-feira (17) pelo portal Metrópoles.

 

Segundo o relato, a sinalização foi feita por autoridades norte-americanas durante reunião com Galípolo e deve avançar mesmo diante da resistência do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não apoia a medida.

 

Conforme o Departamento de Estado dos EUA, a classificação tem como objetivo intensificar o combate financeiro às facções, que são apontadas como responsáveis por movimentar grandes volumes de recursos ilícitos por meio de lavagem de dinheiro.

A comunicação antecipada ao Brasil é vista por autoridades norte-americanas como uma forma de “deferência diplomática”, já que, em outros casos semelhantes, como no México, não houve aviso prévio antes da adoção da medida.

A possível designação do CV e do PCC como organizações terroristas estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês) representaria uma mudança significativa na política externa dos Estados Unidos para a América Latina. Esse status permite maior atuação do Departamento do Tesouro americano, incluindo o congelamento de ativos em território dos EUA e restrições ao acesso ao sistema financeiro internacional.

Na prática, a medida poderia dificultar ainda mais a circulação de recursos das facções e ampliar o isolamento financeiro dessas organizações.

Por outro lado, a iniciativa cria tensões diplomáticas com o Brasil. O governo brasileiro defende que o enfrentamento ao crime organizado deve ser feito principalmente por meio de cooperação policial e investigação conjunta, sem enquadramentos que possam gerar impactos políticos ou jurídicos mais amplos.

A posição do Palácio do Planalto é de preocupação com possíveis efeitos da medida sobre a soberania nacional e eventuais consequências indiretas para a economia e setores como o turismo.

A proposta norte-americana ocorre em um contexto de endurecimento da política dos EUA contra grupos criminosos na América Latina. Em anos recentes, outras organizações, como o Cartel de Sinaloa, no México, e o Tren de Aragua, na Venezuela, foram incluídas na lista de organizações terroristas estrangeiras.

A classificação equipara essas facções a grupos extremistas globais, como Al-Qaeda e Estado Islâmico, ampliando o alcance das sanções financeiras e legais.

O tema também ganha relevância política no Brasil, em meio a debates sobre segurança pública e pressão de diferentes setores para o fortalecimento do combate ao crime organizado. Segundo informações citadas por veículos internacionais, a discussão estaria sendo acompanhada por diferentes atores políticos brasileiros.

A decisão final dos Estados Unidos ainda não foi oficializada, mas o tema já provoca repercussão diplomática e pode impactar a relação entre Washington e Brasília nos próximos meses.

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