O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta quarta-feira (13/5), a criação de um subsídio para a gasolina — nacional ou importada — que pode chegar a até R$ 0,89 por litro. A medida tem como objetivo conter os impactos da guerra no Irã sobre o setor de combustíveis no Brasil. O diesel também será contemplado.

Inicialmente, o subsídio da gasolina ficará entre R$ 0,40 e R$ 0,45 por litro, podendo atingir o teto de R$ 0,89. Esse valor inclui tributos como PIS, Cofins e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Para o diesel, a previsão é de uma subvenção em torno de R$ 0,35 por litro, a partir de 1º de junho.

A medida será viabilizada por meio de uma Medida Provisória, e o pagamento do subsídio será feito diretamente aos produtores e importadores, por intermédio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo o governo, a subvenção começa pela gasolina, mas poderá ser estendida ao diesel após o término da vigência da Medida Provisória nº 1.340, publicada em março e válida até o fim deste mês.

O anúncio contou com a participação dos ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento), além do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron.

O subsídio terá algumas condições: não poderá ultrapassar o valor dos tributos, terá prazo inicial de dois meses (com possibilidade de prorrogação), o desconto deverá constar nas notas fiscais eletrônicas e o pagamento aos beneficiários ocorrerá em até 30 dias, em formato semelhante a um cashback.

De acordo com estimativas do governo, cada R$ 0,10 de subsídio na gasolina gera um custo mensal de R$ 272 milhões, enquanto no diesel o impacto é de R$ 492 milhões. Considerando os valores iniciais, o custo mensal deve ficar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,2 bilhão para a gasolina e em torno de R$ 1,7 bilhão para o diesel.

O governo afirma que esses custos serão compensados pelo aumento da arrecadação com dividendos e royalties do petróleo, impulsionados pela alta do preço internacional do barril. Segundo Rogério Ceron, a elevação do preço do petróleo amplia a base de arrecadação, permitindo direcionar esses recursos para mitigar o impacto dos combustíveis, mantendo a neutralidade fiscal.

Bruno Moretti destacou que o subsídio não representa uma despesa permanente. Segundo ele, o gasto será acomodado dentro do espaço fiscal, com base em receitas extraordinárias ou, se necessário, por meio de contingenciamento para cumprir a meta de resultado primário.

Antes do conflito, o barril do petróleo tipo Brent era negociado próximo de US$ 70. Nesta semana, o valor chegou a cerca de US$ 105,66. Para 2026, a meta fiscal do governo prevê superávit primário de R$ 34,3 bilhões, com margem de tolerância que permite resultado entre zero e R$ 68,6 bilhões.

Além disso, o governo tenta avançar no Congresso com um Projeto de Lei Complementar (PLP) que autoriza o uso de receitas ordinárias do petróleo para reduzir alíquotas de impostos, embora a proposta ainda não tenha avançado. Na segunda-feira (11/5), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, pediu ao presidente da Câmara, Hugo Motta, que coloque o projeto em votação para evitar aumento de tributos.

Por fim, o anúncio ocorre após a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sinalizar que a estatal deve reajustar em breve o preço da gasolina vendida às distribuidoras. Segundo ela, o aumento é iminente e leva em consideração, entre outros fatores, a variação do preço do etanol no mercado brasileiro.

Artigo anteriorRoberto Cidade desponta como símbolo da nova política de alta performance no Amazonas
Próximo artigoEm posse de Nunes Marques, Moraes cumprimenta Michelle Bolsonaro