
Juiz de Fora (MG) é a terceira cidade brasileira com maior área urbanizada em encostas íngremes, apresentando 1.256 hectares construídos em locais com inclinação que representa risco maior de deslizamento. A cidade mineira fica atrás das capitais Rio de Janeiro (1,7 mil hectares) e São Paulo (1,5 mil hectares) no ranking nacional, segundo estudo que analisou a ocupação urbana em áreas de risco nos últimos 40 anos.
Ocupação acelerada em áreas de risco
O levantamento revela que a ocupação de áreas de risco cresceu em ritmo mais acelerado que a urbanização geral. Enquanto as áreas urbanas no Brasil aumentaram 2,5 vezes entre 1985 e 2024, as construções em terrenos inclinados mais que triplicaram no mesmo período.
A área urbanizada no país saltou de 1,8 milhão de hectares para 4,5 milhões de hectares. Já as áreas construídas em regiões com declividade acentuada e maior risco de erosão e deslizamento expandiram de 14 mil para 43,4 mil hectares.
A coordenadora do estudo, Mayumi Hirye, destaca que as mudanças climáticas e os eventos extremos intensificam os riscos em áreas sensíveis e vulneráveis, que têm sido ocupadas de forma mais acelerada.
Proximidade de rios e córregos eleva risco de inundações
A proximidade de rios e córregos, essenciais para a drenagem natural das cidades, também é um fator de maior exposição a enxurradas. Em 2024, 1,2 milhão de hectares de áreas urbanas no Brasil apresentavam risco de inundação por essa característica.
O estado do Rio de Janeiro lidera nesse quesito, com 108,2 mil hectares urbanos próximos a áreas de drenagem natural. A ocupação nessas áreas quase dobrou em 40 anos.
Em Rondônia, a construção em áreas próximas à drenagem natural mais que duplicou, passando de 7,3 mil hectares em 1985 para 18,8 mil hectares em 2024.
O engenheiro ambiental Edmilson Rodrigues, do Mapbiomas, ressalta que, embora as cidades historicamente se estabeleçam perto de corpos d’água, as mudanças climáticas aumentam os riscos. Ele enfatiza a importância de monitorar a expansão urbana em margens fluviais para conservar o ambiente e a qualidade de vida.
Com informações da Agência Brasil


