Brasil – O rapper e DJ Afrika Bambaataa morreu nesta quinta-feira, 9, aos 68 anos, na Pensilvânia, Estados Unidos. Ele teria sofrido “complicações de um câncer” durante a madrugada, segundo informou o site americano TMZ.

Pioneiro do hip-hop, o artista ajudou a formatar o estilo com a música “Planet Rock”, lançada em 1982, e é frequentemente citado como um dos “padrinhos do gênero”, ao lado de nomes como DJ Kool Herc e Grandmaster Flash.

Nascido Lance Taylor em 17 de abril de 1957, no bairro do Bronx, em Nova York, Afrika Bambaataa era filho de imigrantes da Jamaica e de Barbados. Cresceu em um conjunto habitacional cercado por familiares envolvidos no movimento de libertação negra dos anos 1960, tendo seu primeiro contato com a música por meio da extensa coleção de discos da mãe. Ainda jovem, integrou a gangue Black Spades, onde rapidamente ascendeu até o posto de “warlord” (líder de guerra).

A inspiração para o nome artístico veio do chefe revolucionário Zulu Bhambatha, do filme “1964”, e após fazer uma visita à África. O músico americano, então, decidiu criar uma alternativa à gangue Black Spades, a Universal Zulu Nation, voltada à cultura e ao desenvolvimento comunitário.

Na década de 1970, começou a organizar festas nas quais o hip hop ditava o ritmo, ganhando espaço como expressão cultural. Rapidamente, os eventos cresceram e se transformaram em grandes festas de rua no sul do Bronx, contando com DJs locais e sistemas de som improvisados. O sucesso dos bailes ajudou a moldar a cultura do hip-hop, como o rap, o grafite e competições de breakdance. Não demorou muito e seu estilo de discotecagem, baseado na repetição rápida de trechos rítmicos de bateria (breakbeats), passou a se tornar referência.

Maior sucesso

O primeiro single do rapper e DJ Afrika Bambaataa, “Zulu Nation Throwdown”, foi lançado em 1980, fazendo referência à Universal Zulu Nation, o coletivo artístico criado por ele que reunia rappers engajados, grafiteiros, b-boys e outros integrantes da cultura hip hop.

O sucesso do grupo transpôs as fronteiras dos Estados Unidos e influenciou coletivos e artistas de hip-hop em várias partes do mundo nas décadas seguintes. Entre os grupos que se inspiraram na iniciativa estão De La Soul, A Tribe Called Quest e Jungle Brothers.

O maior sucesso de Afrika Bambaataa, porém, é “Planet Rock”, de 1982, com o grupo Soul Sonic Force. A faixa foi construída sobre batidas da drum machine Roland TR-808 e samples do grupo alemão Kraftwerk, e chegou ao quarto lugar da parada de R&B da Billboard, ajudando a popularizar o electro-funk.

O hit impactou o rap e influenciou no surgimento de outros gêneros musicais, como o Miami Bass, nos EUA, e o funk carioca, no Brasil. Da mistura da batida seca e grave da bateria eletrônica TR-808 com samples de música eletrônica nasceu a base para as “melôs” dos bailes do Rio nos anos 80 e 90, que depois se tornaram sucessos nacionais.

Em 1985, Afrika Bambaataa participou da produção do álbum antiapartheid “Sun City”, uma obra com canções de protesto icônicos contra o regime racista do Apartheid e para boicotar o resort sul-africano que deu nome ao álbum. O projeto, produzido por Little Steven (Steven Van Zandt), reuniu mais de 50 artistas (Artists United Against Apartheid) e grandes nomes da música, como Joey Ramone, Run-D.M.C. e U2.

Expulsão após acusações de abuso

Ainda segundo o TMZ, Bambaataa enfrentou uma série de problemas judiciais em seus últimos anos de vida após ser acusado por vários homens de abuso sexual ocorrido nas décadas de 1980 e 1990, chegando a ser expulso do coletivo Universal Zulu Nation que ele mesmo ajudou a fuundar. Em 2016, várias pessoas acusaram Bambaataa de abuso sexual quando eram crianças, incluindo o ativista do Partido Democrata e ex-executivo da indústria musical Ronald Savage. Ele afirmou que havia sido abusado repetidamente em 1980, quando tinha 15 anos e Bambaataa, 23. Em 2024, Savage contradisse sua declaração ao afirmar que conheceu o DJ em um clube usando documento falso.

Em 2025, Bambaataa perdeu um processo civil movido por um homem anônimo que diz ter sido abusado e traficado quando o DJ tinha 33 anos, e ele uma de 12 anos. Segundo o acusador, as violências teriam durado quatro anos. A Suprema Corte do Estado de Nova York concedeu vitória ao autor por revelia, sem oposição da defesa.

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