
O Festival Rec-Beat, reconhecido como um importante polo de resistência cultural e vitrine para a música independente e multicultural do Brasil, comemora 30 anos de existência reafirmando sua essência de vitalidade e inquietação. Fundado em 1995 por Antonio Gutierrez, o Gutie, o festival se consolidou como um espaço de encontro entre diferentes públicos, estéticas e gerações, especialmente durante o Carnaval pernambucano.
Realizado entre os dias 14 e 17 de fevereiro no Cais da Alfândega, no Recife, o Rec-Beat deste ano propõe um diálogo entre as cenas musicais do Brasil, América Latina e África. A programação conta com artistas como Nanda Tsunami, AJULLIACOSTA, Carlos do Complexo, Jadsa, Djonga, Johnny Hooker, Chico Chico, Josyara e Felipe Cordeiro, que celebra 20 anos de carreira com uma fusão de sonoridades amazônicas ao lado de Layse.
A gênese do Rec-Beat e a celebração das três décadas
Gutie relembra que o festival nasceu no efervescente cenário dos anos 90 em Recife, influenciado pelo movimento Manguebeat. Inicialmente, eram festas realizadas em locais inusitados, como um antigo casarão no centro histórico. A primeira edição, considerada uma “edição zero”, ocorreu em 1993 em São Paulo, reunindo 12 bandas pernambucanas na casa de shows Aeroanta.
O Rec-Beat se estabeleceu no Carnaval do Recife em 1995, no Centro Luiz Freire, e posteriormente se mudou para o sítio histórico, ganhando proporções maiores e ampliando seu olhar para o cenário nacional, latino-americano e africano. Gutie enfatiza o interesse do festival pelo que acontece nas periferias, tanto urbanas quanto globais, buscando produções inovadoras e impactantes.
Novidades e desafios na edição de 30 anos
Para esta edição comemorativa, o festival concretizou a ideia de criar um selo voltado para a música eletrônica, chamado Moritz. A primeira noite foi dedicada a DJs nacionais, locais e internacionais, com a perspectiva de que Moritz se torne um evento autônomo no futuro.
Apesar da consolidação, a cena de festivais independentes enfrenta desafios, especialmente em relação ao financiamento. Gutie aponta a concentração de recursos em grandes festivais midiáticos e a centralização cultural e de investimentos no Sudeste do Brasil como obstáculos. O Rec-Beat, por ser gratuito, depende de articulações com patrocinadores como a Prefeitura do Recife, o Governo do Estado, a Lei Rouanet, a Uninassau e o Banco do Nordeste, além de instituições internacionais.
Momentos marcantes e a visão de futuro
Ao longo de seus 30 anos, o Rec-Beat já vivenciou momentos de superação, como a edição de 2015 em meio à instabilidade econômica e política do país. Gutie destaca o orgulho de nunca ter deixado o festival falhar, exceto durante a pandemia, mantendo-o vibrante.
Entre as lembranças mais intensas, Gutie cita o show do Mudhoney, quando o público invadiu o palco, e uma situação inusitada durante uma tempestade, onde a equipe precisou secar a mesa de som com um secador de cabelo para que a banda pudesse continuar tocando.
Olhando para o futuro, Gutie reafirma a missão do Rec-Beat de apresentar novas opções musicais, mostrando que existe vida além da mídia massiva e dos algoritmos. “O novo sempre vem!”, conclui, incentivando a aposta e a exploração do que é inovador, sem medo dos desafios.
Com informações da Agência Brasil


