
Um em cada quatro estudantes da rede pública no Brasil agora frequenta a escola em tempo integral. Os dados revelam um avanço significativo, especialmente no ensino médio, onde as matrículas em tempo integral saltaram de 16,7% em 2022 para 26,8% em 2025. O ensino fundamental, dividido em anos finais (6º ao 9º ano) e anos iniciais (1º ao 5º ano), registrou 23,7% e 20,9% de matrículas em tempo integral, respectivamente. Na pré-escola, o índice é de 18,3%.
Avanço na Educação Integral
Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, considera os números um “avanço muito significativo”. Ela destaca que foram criadas 923 mil novas matrículas em um ano, elevando o total para mais de 8,8 milhões de estudantes na rede pública. “Esse crescimento consistente desde 2022 indica que o país está consolidando o tempo integral como uma estratégia estruturante para enfrentar os desafios da aprendizagem e das desigualdades educacionais”, afirmou.
No entanto, Guedes ressalta a importância de ir além da ampliação do tempo de permanência. “É necessário que as escolas desenvolvam projetos pedagógicos que ampliem as oportunidades de aprendizagem real, usando esse tempo extra de forma estratégica”, pontua. Ela sugere a organização de um currículo diversificado, com atividades artísticas, esportivas e culturais, que dialogue com o território e fortaleça as aprendizagens cognitivas e o desenvolvimento socioemocional.
Potencial na Redução de Desigualdades
Daniela Caldeirinha, vice-presidente da Fundação Lemann, enfatiza o potencial da escola em tempo integral na redução das desigualdades sociais e raciais. “Mais tempo na escola, com currículo e práticas voltadas às adolescências, é a principal alavanca para melhorar a aprendizagem nos anos finais do ensino fundamental”, declarou. Ela aponta que esse período é crucial para o desenvolvimento cognitivo e molda trajetórias de vida.
Investimento do MEC
Segundo o Ministério da Educação (MEC), os resultados são fruto do investimento de R$ 4 bilhões do Programa Escola em Tempo Integral, lançado em 2023. O programa visa apoiar redes de ensino na expansão de matrículas em todas as etapas e modalidades da educação básica.
Sobre o Censo Escolar
O levantamento, realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), coleta dados sobre todas as escolas da educação básica, professores, gestores e turmas, abrangendo todas as etapas e modalidades, incluindo ensino regular, educação especial, educação de jovens e adultos (EJA) e educação profissional. Participam escolas públicas e privadas de todo o país.
Com informações da Agência Brasil


