Brasil – A Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte, tirou do ar seu perfil nas redes sociais em meio ao avanço das investigações sobre Fabiano Campos Zettel, nome ligado ao caso Banco Master. No Instagram, a conta da unidade estava indisponível nesta terça-feira (17).

O movimento, porém, não foi acompanhado por mudança visível no cadastro da igreja. Consultas feitas pela Revista Fórum mostram que a Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, CNPJ 57.391.420/0001-63, permanece registrada e traz Zettel como presidente da pessoa jurídica.

A abertura da entidade consta em 19 de setembro de 2024, no endereço Rua Maria Luiza Santiago, 200, Santa Lúcia, Belo Horizonte. Até a publicação desta reportagem, não havia baixa do CNPJ nem alteração pública no comando formal da unidade.

Perfil some, mas comando formal permanece inalterado

A retirada do perfil ocorre em meio a relatos de fechamento da Lagoinha Belvedere. No plano documental, contudo, a estrutura da igreja continua a mesma: o cadastro empresarial não aponta encerramento das atividades nem substituição de Zettel no posto de presidente.

Esse descompasso entre a presença pública da unidade e sua situação formal é um dos pontos centrais da apuração. A nota de afastamento divulgada pela Lagoinha trata do exercício de funções religiosas. Já o cadastro empresarial trata da direção da entidade no papel. Até aqui, uma situação não acompanhou a outra.

Lagoinha afirmou ter afastado Zettel do pastoreio

A Igreja Batista da Lagoinha informou anteriormente que Fabiano Zettel foi afastado do pastoreio da unidade Belvedere em novembro de 2025. Segundo a manifestação pública da denominação, ele deixou de exercer função pastoral e institucional na igreja.

As consultas feitas agora, no entanto, mantêm o nome dele na presidência da pessoa jurídica. Não foi localizada, até a publicação desta matéria, alteração pública que indicasse sua saída do quadro formal da entidade.

Zettel está no centro das apurações sobre o Master

O nome de Zettel passou do noticiário religioso para o eixo político e policial do caso Banco Master. O Senado o classificou como ex-pastor da Lagoinha Belvedere ao divulgar sua convocação para a CPMI do INSS, aprovada em 12 de março.

A pressão se ampliou em outras frentes. A Revista Fórum mostrou que ele teve sigilos quebrados na CPI do Crime Organizado. A revista também noticiou que Zettel foi alvo de mandado de prisão na operação da Polícia Federal que atingiu Daniel Vorcaro.

Nesta terça-feira, o Senado informou ainda que a CPMI do INSS terá de devolver à Polícia Federal dados sigilosos de Daniel Vorcaro, por decisão do ministro André Mendonça.

Outros rastros públicos da unidade continuam no ar

Embora o Instagram da Lagoinha Belvedere estivesse fora do ar, a página institucional da unidade seguia exibindo endereço e programação de cultos. O contraste indica que o recolhimento da presença digital não ocorreu de forma homogênea.

A Revista Fórum mostrou ainda, nesta segunda-feira, que a crise envolvendo a Lagoinha ganhou novo peso político após a revelação de emendas enviadas por Carlos Viana, presidente da CPMI do INSS, à fundação da Lagoinha.

Até aqui, o que está documentado é: a Lagoinha Belvedere retirou seu perfil das redes sociais, mas continua registrada no CNPJ, sem mudança pública no comando formal da entidade, onde Fabiano Zettel ainda figura como presidente.

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